Despedidas sao sempre nostálgicas. Afastar-se do que é conhecido assusta e traz medo. Algumas vezes traz ansiedade e para isso há as barras de chocolate.
Mas há vezes em que algo foi tao bom, tao perfeito que a despedida nao dói. Quando algo é perfeito nao se diz "e se", nao há arrependimentos, remorsos, dúvidas. Quando algo é perfeito nao há que se olhar para trás a nao ser para relembrar e abrir um grande e belo sorriso.
Quando algo é perfeito a felicidade é tao grande e o carinho é tao sincero que nao se precisa de nada mais. Quando algo é perfeito a paz é plena e de repente nao há dificuldade alguma em dizer adeus. Existe apenas aquele quentinho no fundo do estomago que ninguem sabe explicar e só entende quem está apaixonado.
Paixao daquelas fulminantes, de tirar o folego. Paixao que te faz querer ver a pessoa sempre e que quando isso acontece tem-se a sensaçao de plenitude. Sabe esse tipo de paixao? Dessas que tornam tudo perfeito? No último mes eu me apaixonei. De inúmeras formas e inúmeras vezes. E minha paixao tem vários nomes.
O primeiro deles é Valencia. Cidade encantadora, senhora com carinha de menina, talvez um pouco parecida comigo. Independente, organizada, determinada. Linda a minha paixao. De mar azul e sol forte consegue conquistar o mais cético dos mortais em algumas poucas horas.
Proporcionou-me muitas das oportunidades mais maravilhosas que já vivi. Aqui fiz muita coisa e de várias formas amei todas elas. Mergulhei no mar, nadei com peixes, fui derrubada por ondas, virei milanesa na areia, comi muito "bocadillo", comi muita gordura e muita pimenta, tomei um monte de água, usei um tanto de filtro solar, fiquei morena mesmo assim.
Senti a brisa no rosto, vi lindos por-do-sol, namorei a lua cheia, fui ao porto (137 vezes, aproximadamente), dancei, pulei, cantei muito alto, ri de golfinho, vi baleia branca, pinguim, passarinho e morsa. Liguei pra casa mais de uma vez ao dia, chorei de rir, chorei choro bom vendo DVD da Ivete por pura saudade do Brasil.
Abracei estranhos, fiz amigos, conheci pessoas maravilhosas, comi tapas, tomei água de Valencia e nao fiquei bebada, caminhei uns 157.000Km, andei de onibus, metro, taxi, tranvía. Fui a igreja, ao bar, a boate, a casa de amigos. Comi sobremesa filandesa, queijo suiço, paella espanhola, hamburguer turco, jamón serrano, risoto brasileiro feito com muito carinho.
Andeia na areia, corri na orla, pulei 40 ondas no San Juan e me molhei toda. Me sequei em 2 segundos no calor das fogueiras. Vi castelo, paisagens, sorrisos, templos, regatas, filme, exposiçoes, museus. Brinquei que nem criança a tarde inteira nesse último. Tirei, muita, muita foto, mais de 500.
Dei a mao a criança, abracei adulto, fui apoio, precisei de volta, ri muito depois de tudo isso. Viajei de trem, levei bronca de taxista, ri muito de mim mesma, dos amigos, dos desconhecidos, vi parada de orgulho gay, escutei samba no meio da praça, andei de moto. Fiz muito mais coisa.
Foram tantas coisas, tantos momentos, tantos sorrisos, tanta felicidade que é impossível contar num post só. Ou em quantos quer que sejam. É impossível. Agora tenho apenas a certeza de que foi completamente inesquecível e que eu estou feliz de mais pra ficar triste.
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O meu post de despedida de Valencia acabaria aí. Uso o tempo passado porque tenho que compartilhar um acontecimento de hoje com vcs e para tanto tenho que falar um pouquinho de outra de minhas paixoes.
Saimos de Valencia, meu irmao e eu, cedinho pela manha para pegarmos o aviao a Amsterda. Chegando no aeroporto nos dirigimos ao desembarque para conseguir um mapa e um telefone público. Quando saímos pelas portas em direçao a saída eu escutei uma voz que dizia "Isabela!!!". Isabela? Como assim? Nao sabia que esse nome existia na Holanda. Como poderia haver outra Isabela no aeroporto, como poderia alguém me conhecer em plena Amsterda? Olhei para um lado, para o outro e me deparei com uma amiga: Linda, da Holanda, claro. Foi ela (e Tracy) que me acompanhou no hospital e em tantas outras experiencias incríveis em Valencia.
Senti frio na barriga, excitaçao, felicidade completa! Minha amiga linda que eu amo estava ali, me esperando no aeroporto. Claro, nao foi pura coincidencia, tinhamos falado de nos encontrar e eu tinha falado do voo e tudo, mas nao nos falávamos há 5 dias e ela simplesmente resolveu fazer uma surpresa. E que surpresa!! :) Ela mora a 1h e meia da capital e veio dirigindo passar o sábado comigo e com Paulinho. Voltou pra casa mas vem de novo amanha para nos vermos mais um pouquinho antes de eu partir para Bruxelas.
Essa história entrega uma de minhas outras paixoes, da qual eu só falaria mais adiante, quando pudesse colocar fotos pra vcs poderem conhece-los: meus amigos. Falo amigos com a boca cheia porque em um mes, ou seja, 4 semanas, ou seja, 3 fins de semana, convivi com essas pessoas mais do que eu convivo com muita gente que mora pertinho de mim aí em Brasília e vivemos muita coisa juntos! Estou certa de que muitos deles passaram pela minha vida e a tornaram mais feliz, mas que a experiencia lado a lado termina por aí. É bom sentir isso: que nem tudo na vida tem que ser eterno pra valer a pena.
Por outro lado, fiz amigos que sei que, de uma forma ou de outra, estarao presentes a minha vida inteira. Perto, longe, ativa ou passivamente, de 10 em 10 anos. Todos sao pessoas maravilhosas que iluminaram a minha vida de maneiras que eles nao fazem nem ideia.
Por tudo isso e por muito mais, obrigada Valencia, obrigada Espanha, obrigada amigos, todos os amigos, daqui e daí. Mais uma etapa se encerrou ontem (06.07) e outra se iniciou hoje.
No caminho, estou realizada em dizer, só colhi felicidade.



Pre despedida em um bar com os amigos brasileiros, ouvindo e dancando musica brasileira
Ultimo dia, na orla. Babi, vou morrer de saudades! Te amo muito!
Com os amigos estrangeiros



Eu e Paulinho, mochileiros no aeroporto de Amsterda, esperando o trem para ir ao hotel
Eu e Linda no aeroporto, logo depois da surpresa :)
Na praca central de Amsterda. Ao fundo o Palacio real e a Catedral (onde nao ha missas. Estranho ou o que?)