domingo, 22 de julho de 2007

Descobrindo limites

Raul Seixas um dia sabiamente disse: "Eu vou lhes dizer agora o oposto do que eu disse antes. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo".

Quem disse que vc não pode se sentir amanhã completamente diferente do que se sentia ontem? Por que vc nao pode ser uma pessoa nova a cada dia?

Por que deixamos que criem de nós e criamos sobre os outros perfis, moldes, conceitos pré estabelecidos? Quero poder acordar num dia e me vestir de gueixa e no outro de melindrosa. Ser princesa e no outro povo. Ser trabalhadora e querer um dia de preguiça.

Mas a sociedade traça uma média com as suas atitudes e passa a ESPERAR de vc! Esperar o que? Eu te prometi alguma coisa? Não, não. Eu não prometi nada, quem criou a expectativa foi vc, da sua cabeça, por sua própria vontade. Eu, minha, comigo mesma, se atendê-la será por mero acaso ou porque por puuuura coincidência a sua expectativa bateu com a minha vontade.

Gostou? Leva pra casa. Se não gostou, o problema é todo seu. Isso sim é a tal liberdade de escolha. Escolher ser quem vc quiser no momento que vc quiser, quantas vezes por dia quiser. Não ter a necessidade de sorrir todos os dias porque os outros dizem que vc é alegre. Nem de fechar a cara porque sua fama é de emburrado.

Dá licença de eu poder sorrir, chorar, querer gente, querer solidão, querer gritar, querer calar? Dá licença de eu querer uma coisa diferente de 5 em 5 segundos? Dá licença de não esperar nada de mim? Dá licença que eu estou passando, eu estou vivendo e eu não vivo numa forminha de chocolate?

Existe uma base de valores que formam o seu caráter e não se compra um caráter de cada cor na loja para sair trocando todos os dias. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa e essa coisa de caráter não tem nada a ver com a coisa de liberdade.

Todos os dias estou testando os meus limites e me conhecendo e reconhecendo. Então não venha me dizer que vc já sabia que eu pensaria assim quando nem eu sabia que eu pensaria. Amanhã posso e provavelmente irei pensar, desejar, agir de maneiras completamente diferentes das que faço hoje.

E dá licença que ninguém tem nada a ver com isso.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Um dia (peculiar) na Europa!

- Bom dia!
- Bom dia!
- Que horas sao?
- 5, hora de levantar.

Mochila nas costas, andamos ate o metro, encontramos uma maquina para comprar os bilhetes: dez euros para ir ate o aeroporto. DEZ? Tudo bem... Perdemos o primeiro trem por tentar usar a maquina como touch screen enquanto ela tinha botoes, o que atrasou todo o resto do trajeto. O voo era as 07:05 e nos chegamos no aeroporto 06:25.

- Qual o terminal?
- Um.
- Ok.

Anda, anda, anda. Dezesseis kilos nas minhas costas, vinte nas do Paulinho, mais malas de mao e sacolas. Pra esquerda, pra direita. Num alemao meio truncado: pra la.

- La onde?
- La.
- Ala A ou D?
- Sei la. Corre pra A.

Corre, corre, corre. Literalmente: o Paulinho correndo na frente e eu correndo empurrando o carrinho atras (sim, a essa altura, nao aguentavamos mais tanto peso). Ele chegou na frente e eu logo atras.

- E no D.
- E onde e o D?
- No extremo oposto de onde viemos.
- Mentira!!
- Corre. Vou na frente.

Corre, corre, corre. Cai bolsa, pego a bolsa. Corre, corre. Cai o tudo, pego o tubo. Entro na esteira. Corre, corre. Cai a outra bolsa. Chega de correr. Comeco a andar rapido. Chegamos no terminal, uma funcionaria brasileira (tinha que ser!!!) conseguiu fazer o nosso embarque as 07 da manha. Cooooorreeeeeeeeeee!

- Lima Paulo e Lima Isabela por favor se dirigirem imediatamente ao portao A20 para embarque imediato.

Corre!!!!!!!!

Sentamos no aviao. Ufa. Chegamos no aeroporto de Orly, Paris as 08:20.

Esteira 09 para recolhimento de bagagem. Quando chegamos havia um militar impedindo a passagem de todo mundo para a esteira 9. Um pouco depois policiais e segurancas do aeroporto afastaram todas as pessoas e fecharam todas as lojas perto da esteira 9.

Pergunta daqui, pergunta dali.
- Que passa?
- Uma mala perdida, pode ser bomba, temos que isolar a area.
- Quanto tempo?
- Pode levar ate meia hora.
- Ok.

Quase uma hora depois abriram a passagem e todos correram a pegar as malas. A esteira esvaziou e parou e ....

- Cade as malas?
- Ainda nao chegaram, mas no painel diz que esta em andamento
- E agora?
- Ainda em andamento
- E?
- Em andamento, temos que esperar, foi o que o cara da bagagem disse.

Uma hora depois descobrimos o paradeiro: ficaram em Munique.

Abrimos chamado, deixamos dados, acionei o seguro do American Express (vou cobrar pela propaganda - hshshsh), nos encaminhamos para o hotel.

- Entao, vcs teram que esperar ate as 15hs (eram 12:00) porque o check in e as 15 e os quartos estao cheios, entao ainda temos que preparar o de vcs.
- Ok...
- Vcs podem deixar a bagagem de vcs no quarto de bagagem.
- Ah, falando nisso, vao ligar da companhia aerea.

Fomos comer em um lugar perto enquanto faziamos hora para esperar o quarto. Depois de um bom tempo de espera chegaram os pratos:

- Eita, Paulinho, vc pediu frango? :)
- E... bem....
- Eita, eu pedi frango? Moco, acho que tem alguma coisa errada...

Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

Bobeiras que talvez so eu e Paulinho achemos graca, mas hoje realmente esta sendo um dia unico e eu quis compartilhar com vcs!!! Agora vou para o hotel que ja deu a hora do quarto estar pronto e vou descansar um pouco antes de voltar pro aeroporto.

Ah sim! Eles nao garantem que as malas chegarao amanha de manha e nos saimos para o OUTRO aeroporto amanha a tarde, entao achamos mais seguro irmos pessoalmente pega-las.

Pati, Lu, Tuti, Mari, Fe: amo muito! Obrigada pelas palavras, pelas contagens, pelo carinho! Nos vemos em um pouco! :)

Um beijo grande a todos e ate daqui a pouco!

terça-feira, 3 de julho de 2007

Um coraçao, mil amores

Despedidas sao sempre nostálgicas. Afastar-se do que é conhecido assusta e traz medo. Algumas vezes traz ansiedade e para isso há as barras de chocolate.


Mas há vezes em que algo foi tao bom, tao perfeito que a despedida nao dói. Quando algo é perfeito nao se diz "e se", nao há arrependimentos, remorsos, dúvidas. Quando algo é perfeito nao há que se olhar para trás a nao ser para relembrar e abrir um grande e belo sorriso.


Quando algo é perfeito a felicidade é tao grande e o carinho é tao sincero que nao se precisa de nada mais. Quando algo é perfeito a paz é plena e de repente nao há dificuldade alguma em dizer adeus. Existe apenas aquele quentinho no fundo do estomago que ninguem sabe explicar e só entende quem está apaixonado.


Paixao daquelas fulminantes, de tirar o folego. Paixao que te faz querer ver a pessoa sempre e que quando isso acontece tem-se a sensaçao de plenitude. Sabe esse tipo de paixao? Dessas que tornam tudo perfeito? No último mes eu me apaixonei. De inúmeras formas e inúmeras vezes. E minha paixao tem vários nomes.


O primeiro deles é Valencia. Cidade encantadora, senhora com carinha de menina, talvez um pouco parecida comigo. Independente, organizada, determinada. Linda a minha paixao. De mar azul e sol forte consegue conquistar o mais cético dos mortais em algumas poucas horas.


Proporcionou-me muitas das oportunidades mais maravilhosas que já vivi. Aqui fiz muita coisa e de várias formas amei todas elas. Mergulhei no mar, nadei com peixes, fui derrubada por ondas, virei milanesa na areia, comi muito "bocadillo", comi muita gordura e muita pimenta, tomei um monte de água, usei um tanto de filtro solar, fiquei morena mesmo assim.


Senti a brisa no rosto, vi lindos por-do-sol, namorei a lua cheia, fui ao porto (137 vezes, aproximadamente), dancei, pulei, cantei muito alto, ri de golfinho, vi baleia branca, pinguim, passarinho e morsa. Liguei pra casa mais de uma vez ao dia, chorei de rir, chorei choro bom vendo DVD da Ivete por pura saudade do Brasil.


Abracei estranhos, fiz amigos, conheci pessoas maravilhosas, comi tapas, tomei água de Valencia e nao fiquei bebada, caminhei uns 157.000Km, andei de onibus, metro, taxi, tranvía. Fui a igreja, ao bar, a boate, a casa de amigos. Comi sobremesa filandesa, queijo suiço, paella espanhola, hamburguer turco, jamón serrano, risoto brasileiro feito com muito carinho.


Andeia na areia, corri na orla, pulei 40 ondas no San Juan e me molhei toda. Me sequei em 2 segundos no calor das fogueiras. Vi castelo, paisagens, sorrisos, templos, regatas, filme, exposiçoes, museus. Brinquei que nem criança a tarde inteira nesse último. Tirei, muita, muita foto, mais de 500.


Dei a mao a criança, abracei adulto, fui apoio, precisei de volta, ri muito depois de tudo isso. Viajei de trem, levei bronca de taxista, ri muito de mim mesma, dos amigos, dos desconhecidos, vi parada de orgulho gay, escutei samba no meio da praça, andei de moto. Fiz muito mais coisa.


Foram tantas coisas, tantos momentos, tantos sorrisos, tanta felicidade que é impossível contar num post só. Ou em quantos quer que sejam. É impossível. Agora tenho apenas a certeza de que foi completamente inesquecível e que eu estou feliz de mais pra ficar triste.



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O meu post de despedida de Valencia acabaria aí. Uso o tempo passado porque tenho que compartilhar um acontecimento de hoje com vcs e para tanto tenho que falar um pouquinho de outra de minhas paixoes.


Saimos de Valencia, meu irmao e eu, cedinho pela manha para pegarmos o aviao a Amsterda. Chegando no aeroporto nos dirigimos ao desembarque para conseguir um mapa e um telefone público. Quando saímos pelas portas em direçao a saída eu escutei uma voz que dizia "Isabela!!!". Isabela? Como assim? Nao sabia que esse nome existia na Holanda. Como poderia haver outra Isabela no aeroporto, como poderia alguém me conhecer em plena Amsterda? Olhei para um lado, para o outro e me deparei com uma amiga: Linda, da Holanda, claro. Foi ela (e Tracy) que me acompanhou no hospital e em tantas outras experiencias incríveis em Valencia.


Senti frio na barriga, excitaçao, felicidade completa! Minha amiga linda que eu amo estava ali, me esperando no aeroporto. Claro, nao foi pura coincidencia, tinhamos falado de nos encontrar e eu tinha falado do voo e tudo, mas nao nos falávamos há 5 dias e ela simplesmente resolveu fazer uma surpresa. E que surpresa!! :) Ela mora a 1h e meia da capital e veio dirigindo passar o sábado comigo e com Paulinho. Voltou pra casa mas vem de novo amanha para nos vermos mais um pouquinho antes de eu partir para Bruxelas.


Essa história entrega uma de minhas outras paixoes, da qual eu só falaria mais adiante, quando pudesse colocar fotos pra vcs poderem conhece-los: meus amigos. Falo amigos com a boca cheia porque em um mes, ou seja, 4 semanas, ou seja, 3 fins de semana, convivi com essas pessoas mais do que eu convivo com muita gente que mora pertinho de mim aí em Brasília e vivemos muita coisa juntos! Estou certa de que muitos deles passaram pela minha vida e a tornaram mais feliz, mas que a experiencia lado a lado termina por aí. É bom sentir isso: que nem tudo na vida tem que ser eterno pra valer a pena.


Por outro lado, fiz amigos que sei que, de uma forma ou de outra, estarao presentes a minha vida inteira. Perto, longe, ativa ou passivamente, de 10 em 10 anos. Todos sao pessoas maravilhosas que iluminaram a minha vida de maneiras que eles nao fazem nem ideia.


Por tudo isso e por muito mais, obrigada Valencia, obrigada Espanha, obrigada amigos, todos os amigos, daqui e daí. Mais uma etapa se encerrou ontem (06.07) e outra se iniciou hoje.


No caminho, estou realizada em dizer, só colhi felicidade.




Pre despedida em um bar com os amigos brasileiros, ouvindo e dancando musica brasileira

Ultimo dia, na orla. Babi, vou morrer de saudades! Te amo muito!

Com os amigos estrangeiros


Eu e Paulinho, mochileiros no aeroporto de Amsterda, esperando o trem para ir ao hotel

Eu e Linda no aeroporto, logo depois da surpresa :)

Na praca central de Amsterda. Ao fundo o Palacio real e a Catedral (onde nao ha missas. Estranho ou o que?)

 
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