terça-feira, 10 de junho de 2008

Viva o vinho, vinha




Vinha


Viva o vinho

Ela ia vindo

Eu vinha indo

Esbarramos no vácuo.


No oco do cálice

Verte-se um vórtice

Redemoinha a seiva da vinha.

Volta o vórtice, um buquê que aflora.


Frutifica um sabor madeira

Cereja, morango, tabaco, pimenta.

Amplia-se o vórtice.

Cálice após cálice solta-se a palavra


Do santo graal individual

Ternamente transborda doce mente

Do cálice translúcido

Nasce brumas inebriadas


No tenro torpor

Palmas e palatos fazem a temperança

Cheios de tato sondamos os sonhos

Tateando incertezas

Apalpamos o passado

Aquecemos o presente

Desfrutamos um futuro

Desvendamos o instante

Brindamos

No encontro dos cálices

O mundo gira mais redondo


Luciano Astiko


Encontrei esse poema numa caixinha de troca de palavras numa festa no Jardim Botânico. Logo eu, tirar dentre tantos papeletes dobrados um que falava de vinho! Não conheço o autor, mas o poema estava assinado. Espero que ele não se importe por eu ter pego emprestado.

 
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