Viva o vinho, vinha
Vinha
Viva o vinho
Ela ia vindo
Eu vinha indo
Esbarramos no vácuo.
No oco do cálice
Verte-se um vórtice
Redemoinha a seiva da vinha.
Volta o vórtice, um buquê que aflora.
Frutifica um sabor madeira
Cereja, morango, tabaco, pimenta.
Amplia-se o vórtice.
Cálice após cálice solta-se a palavra
Do santo graal individual
Ternamente transborda doce mente
Do cálice translúcido
Nasce brumas inebriadas
No tenro torpor
Palmas e palatos fazem a temperança
Cheios de tato sondamos os sonhos
Tateando incertezas
Apalpamos o passado
Aquecemos o presente
Desfrutamos um futuro
Desvendamos o instante
Brindamos
No encontro dos cálices
O mundo gira mais redondo
Luciano Astiko
Encontrei esse poema numa caixinha de troca de palavras numa festa no Jardim Botânico. Logo eu, tirar dentre tantos papeletes dobrados um que falava de vinho! Não conheço o autor, mas o poema estava assinado. Espero que ele não se importe por eu ter pego emprestado.

